Estado já recuperou dinheiro investido no maior lago europeu

Balanço. Um novo estudo de Augusto Mateus conclui que a obra está paga por efeito dos impostos gerados na fase de construção. Projeto valerá 500 milhões/ano para o PIB em 2020

 

O Estado já conseguiu reaver o investimento feito na construção do complexo de Alqueva, a título de contrapartida nacional de um projeto maioritariamente financiado pelo Fundo de Coesão e que, no total, ascende a cerca de 2,5 mil milhões de euros. Essa é uma das conclusões de um estudo coordenado pelo economista Augusto Mateus, a ser apresentado em breve, seis anos após a EDIA ter começado a comercializar a água. De acordo com aquele estudo a que aludiu o presidente da empresa, “a obra está paga”.
Para aqueles cálculos entra em consideração o acréscimo de impostos adicionais gerados na fase de construção, desde os pagos pelas empresas, a título de IRC, aos trabalhadores por via do IRS e das contribuições para a Segurança Social. Só essa dinâmica, a que acrescem outros impactos na região ao longo de 19 anos de obras, terá compensado a contrapartida financeira do Estado português na construção do maior lago artificial da Europa.
De acordo com as estimativas, quando entrar em velocidade cruzeiro, em cerca de cinco anos, o projeto Alqueva valerá qualquer coisa como 500 milhões de euros anuais para o produto interno bruto (PIB), ou seja, para a riqueza do país. A maior parte desse contributo (250 milhões) é gerada pela produção, 60 milhões pela agroindústria, 80 milhões pela energia e 30 milhões pelo setor do turismo.
A vertente turística do empreendimento de fins múltiplos de Alqueva é, até agora, a menos explorada. O presidente da EDIA admite que “há potencial para fazer muito mais”.
A empresa está empenhada em  “licenciar mais unidades turísticas com acesso à frente de água” do maior lago artificial da Europa, que “está manifestamente subutilizado”, considera aquele.
O desenvolvimento turístico está a ocorrer numa lógica de pequenos nichos de mercado, como a exploração das rotas gastronómicas, bird watching (observação de pássaros), passeios de barco e barcos-casa para alugar ou observatório de estrelas.
Mas alguns dos anunciados resorts de média ou grande dimensão, muito alavancados pela banca, não foram para a frente, porque coincidiram com a crise financeira e os bancos desistiram.
José Pedro Salema mostra-se confiante nos cenários económicos. “Temos uma concessão para vender 600 milhões de metros cúbicos e estamos a vender 150 milhões , o que significa que estamos a 25% da nossa capacidade.”
E face a riscos mais ou menos incertos como as alterações climáticas, José Pedro Salema considera que o sistema está preparado para acomodar essas mudanças, sem que tal constitua preocupação para alterar significativamente os pressupostos traçados.

Carla Aguiar