Cibersegurança vai exigir mais investimento para aumentar confiança

Tendências Armazenar informação na cloud ainda gera desconfiança. EDP e Sonae são empresas com  estratégias de segurança

O investimento em cibersegurança é uma das cinco megatendências identificadas no mundo das tecnologias, num relatório elaborado pela Schneider com base num inquérito internacional nos cem países em que está implantada, disse o seu diretor-geral para Portugal. David Claudino observou que para aumentar a confiança na cloud (nuvem) é preciso investir na segurança e na opacidade da mesma.
A este propósito, João Barreto, da Sonae IM, especializado na área, considerou que “a cloud é tão segura quanto as pessoas que estão do outro lado”, lembrando que “há situações de empresas que faliram porque confiaram os seus dados a outras que por sua vez foram atacadas por hackers”. Mas deixou a garantia de que na Sonae IM “os dados críticos da empresa e dos clientes antes de irem para uma dropbox estão cifrados, tendo nós a chave”.
Cuidado semelhante manifestou Aurélio Blanquet, da EDP Distribuição, que lida com a informação doméstica sensível de dez milhões de pessoas (horários em que se entra e sai de casa, através da ligação de aparelhos, por exemplo) e que procura não só a anonimização dos dados, como acaba de promover um curso via web a 3400 funcionários sobre cibersegurança de infraestruturas críticas, aprofundado agora em julho para os quadros de topo.
Todos os oradores concordam que as empresas que dominam o software da informação e do tratamento dos dados, como a Google e o Facebook, são das que mais dinheiro fazem, tanto assim que um alto responsável de um banco internacional terá ironizado que é sobretudo uma software house que, por acaso, tem uma licença bancária.
Para além da cibersegurança, David Claudino apontou outra tendência que se traduz no facto de o ritmo da inovação ultrapassar frequentemente as infraestruturas existentes, criando a necessidade de novas infraestruturas e negócios.
Ao mesmo tempo que a chamada internet das coisas será cada vez mais uma realidade em todos os ambientes, ela também vai dar resposta a importantes desafios ambientais como o aquecimento global, a escassez de água ou a poluição.
Enquanto a indústria vive a era 4.0, Nuno Borges de Carvalho diz que estamos a chegar à 5.ª geração, ao chamado 5G, cujo objetivo é tornar o custo das comunicações irrisórias e que mudará o paradigma nos próximos anos, com as pessoas constantemente ligadas em tempo real e com velocidades cada vez maiores.

Carla Aguiar (Texto)

Paulo Spranger (Fotos/Global Imagens)