Eficiência energética é a chave para reduzir mais 50% no consumo

Desafio. A crescente digitalização, o êxodo contínuo para as cidades e o compromisso planetário de descarbonização tornam a eficiência energética um imperativo dos tempos modernos. Empresas como a Galp Energia ou a EPAL levam o assunto muito a sério, com a perspetiva de poupar milhões de euros em sistemas mais eficientes

 

Há três megatendências mundiais para as quais a eficiência energética vai ter de ser a resposta: a reindustrialização da era 4.0, a digitalização crescente e um contínuo êxodo populacional para as metrópoles. Estes três fatores prometem aumentar em 50% o consumo de energia nos próximos 40 anos. “Se aliarmos a estas tendências a exigência de descarbonização, a eficiência energética torna-se mais do que um desafio, um imperativo.”
Assim resumiu o diretor-geral da Schneider Electric Portugal, David Claudino, o essencial do desafio que motivou o 4.º debate “Energia Inteligente conectada à eficiência energética” e que, no primeiro painel, versou sobre o seu papel para a competitividade das empresas.
“Com a subida dos custos energéticos, a preocupação com eficiência é prioritária para as empresas onde o peso com a energia é mais relevante, mas também cada vez mais para as outras”, observou Luís Hagatong, o responsável da eficiência energética da Schneider.
Para a multinacional, em que esta área de negócio já representa 20% a 30% do total , a empresa começa por fazer auditorias para diagnosticar como os clientes gastam energia para depois desenvolver as soluções mais adequadas. E uma das conclusões é a de que “às vezes não são necessários grandes investimentos, mas mudanças de processos e alterações comportamentais”, diz Luís Hagatong.
Também a Galp Energia leva cada vez mais a sério a eficiência energética: não só está empenhada em reduzir os consumos dos seus processos produtivos, nomeadamente nas refinarias, como em levar aos seus clientes soluções mais eficientes, lembrou o responsável de Investigação e Tecnologia da Galp Energia, Carlos Martins Andrade. Aquele quadro apontou os casos das estações de serviço em Portugal e Espanha, onde foram implementados sistemas responsáveis por economias da ordem dos 10% na fatura energética. Outro exemplo citado foi o programa Galp 20-20-20, em vigor desde 2007, que consiste em colocar bolseiros em empresas para desenvolver projetos de aumento de eficiência energética. Em colaboração com a FEUP, o IST e a Universidade de Aveiro, aquele programa já envolveu 130 empresas.
Nas refinarias em particular, onde as margens são muito estreitas, a Galp tem um projeto de eficiência energética, com participação da Schneider, que estima poupanças de 56 milhões de euros até 2017. Mas a atenção centra-se também nas energias renováveis, que, “apesar de terem ainda um custo alto, são o futuro”. No presente da Galp, são já uma realidade projetos, em conjunto com as universidades, para aproveitamento e reutilização de CO2.
Transversal a vários áreas de atividade, o setor das águas e do saneamento básico é outro em que, por ser muito sujeito a desperdícios, a questão da eficiência se põe com particular acuidade. “É um setor em que se investe a 20/30 anos, para consumos que podem acontecer ou não e onde se fazem campanhas para poupar no consumo do nosso produto.” Assim caracterizou o setor Pedro Fontes, o coordenador do departamento de monitorização e inspeção de ativos da direção de gestão da ativos da EPAL, para enfatizar a gestão de risco que caracteriza esta atividade. É aqui que os sensores que permitem transmitir informação localizada e em tempo real, em que a Schneider também está envolvida, permitem dar uma ajuda à minimização desse risco e contribuir para uma gestão mais eficiente.
A energia fotovoltaica também esteve em debate, com o engenheiro João Murta Pina, da FCT da UNL, a estranhar as dificuldades em vender este tipo de sistemas em Portugal, apesar das potencialidades, “talvez pelo pay back demorar cerca de dez anos”, admite.

Carla Aguiar (Texto)

Paulo Spranger (Fotos)