“A eficiência energética já vale 20% a 30% do negócio da Schneider”

Inovação O setor da água e do saneamento é outra aposta da Schneider, estando já envolvida em auditorias energéticas a 60 instalações. “Há muito desperdício relacionado com o sobredimensionamento das instalações”

 

Tal como é transversal a abordagem da Schneider Electric relativamente à eficiência energética – desde a habitação à indústria, passando pelas cidades inteligentes –, também é o percurso de Luís Hagatong. O engenheiro elétrico que assegura atualmente a gestão da eficiência energética da Schneider Electric em Portugal já percorreu e dirigiu diversos departamentos, desde as vendas às unidades de produto ou à formação de equipas.
Não por acaso. O enfoque na eficiência energética é cada vez mais transversal na atividade da multinacional, representando já uma área de negócio que absorve 20% a 30% do total, segundo Luís Hagatong. Aquele responsável admitiu que “os níveis de crescimento que se têm verificado nesta área tem tendência a aumentar”.
Uma das principais razões para que tal aconteça é o facto de as soluções tecnológicas cada vez mais sofisticadas, como algumas de-senvolvidas pela Schneider Electric, permitirem aos clientes poupanças energéticas muito significativas. “Há sistemas de climatização que utilizamos nos edifícios e outros que chegam a permitir uma redução de consumos na ordem dos 50% a 60%”, disse aquele responsável.
O setor de água e do saneamento é outra aposta da Schneider, com a empresa a estar envolvida em auditorias energéticas em cerca de 60 instalações. “Existe um elevado desperdício nestas infraestruturas e uma parte está relacionado com o sobredimensionamento das instalações”, disse. Projetos concretos nesta área são, por exemplo, a instalação de sensores em ETAR para recolha de informação e otimização da sua gestão.
Em função do tipo de empresa, algumas das quais com perfis de consumo muito elevado, pequenas percentagens de poupança podem significar somas importantes.
Segundo Luís Hagatong, a Schneider tem no setor industrial e nos edifícios de serviços os seus principais clientes, orientando para aí boa parte da sua “massa cinzenta”. Outra parte não menos importante da estratégia para a eficiência energética é a da comunicação e sensibilização para a alteração de comportamentos. Para isso as universidades e centros de investigação têm sido parceiros preferenciais. A este nível, Luís Hagatong refere o exemplo de uma colaboração com a Universidade Nova de Lisboa para o desenvolvimento de soluções adaptadas a necessidades específicas. Para o setor residencial, em particular – para o qual se estima uma crescimento importante ligado à reabilitação urbana e não só –, a Schneider está empenhada em formar uma rede de eco-experts.
Uma das soluções mais atrativas da Schneider são os sistemas de arrefecimento free-cooling, que se baseiam na insuflação de ar frio durante a noite e extração de calor, permitindo uma gestão muito mais eficiente do consumo energético.
Já na colaboração com a Galp, a Schneider forneceu um sistema de compensação de energia reativa para as refinarias. Por outras palavras, a energia necessária para produzir é a indutiva, mas os motores continuam a gastar energia que já não é diretamente produtiva. A ideia é fazer que nessa fase o consumo baixe.
Outro projeto desenvolvido está relacionado com a variação de velocidades de motores para bombagem de água, também ele com fortes possibilidades de redução dos consumos. “Um investimento desta natureza pode rondar os 500 mil euros a um milhão de euros, mas o retorno acontece entre seis e nove meses depois”, garante.

Carla Aguiar (Texto)

Jorge Amaral (Fotos/GlobalImagens)