Evolution, o primeiro hotel interativo onde o cliente comanda

Está localizado na aristocrática Praça do Duque de Saldanha, em Lisboa, mas qualquer semelhança com passado e tradição é pura coincidência. O Evolution é um hotel virado para o futuro, onde o cliente comanda a sua estada, fazendo uso das mais recentes tecnologias, graças à gestão integrada de uma vasta gama de sistemas interativos, desenvolvida pela Schneider Electric.
A primeira experiência que é proporcionada ao cliente neste hotel, cujo conceito é pioneiro em Portugal, é poder fazer o seu self check-in num balcão virtual, após a reserva online, sem necessidade de intermediação de um rececionista.
“Está sempre alguém disponível se for necessário enquadrar algum cliente menos tecnológico, mas queremos ter essa funcionalidade disponível para quem gosta de ter uma experiência diferente”, explica João Carlos Gomes, diretor técnico do grupo Sana Hotels.
Aquele responsável garante que o cliente-tipo do hotel é o que gosta de “comandar a sua própria estada através de um smartphone, tablet ou comando de TV, porque acha interessante e divertido”.
A partir do momento em que o cliente tem o seu cartão na mão abre-se um mundo de múltiplas experiências. A viagem prossegue no elevador, que só é acionado com a aproximação do cartão de cliente, por questões de segurança, recusando-se a subir sem autenticação.
O momento alto é a chegada aos quartos: assim que é colocado o cartão no dispositivo próprio à entrada, são acionados vários comandos para uma sessão de boas-vindas e é então que, em simultâneo, se abrem as cortinas, as luzes e a TV.
Mas se, por acaso, o cliente considerar que há luz a mais, pode, através do seu smartphone, aceder aos sistemas de domótica dos quartos para baixar os estores sem se levantar da cama ou colocar a iluminação a gosto. Essa funcionalidade é proporcionada por um QrCode fornecido no momento do check-in, que compreende várias opções, como sejam, por exemplo, intervir na regulação do ar condicionado.
O sistema de refrigeração é, também ele, inovador, funcionando não por condensadores mas por unidades de indução, “o state of the art”, explica João Carlos Gomes. O sistema irradia energia quente e fria, para manter uma temperatura estável e temperada, proporcionando maior conforto.
A enorme facilidade com que é possível circular e interagir no Evolution, com poltronas desenhadas para ouvir música e trabalhar ao mesmo tempo, e vários espaços informais para pequenas reuniões de trabalho, esconde uma intricada e sofisticada rede de fios e disjuntores oculta no interior das paredes.
Essa rede a que a Scnheider apelida de Smartstruxure – rede inteligente – é uma espécie de via rápida ou de espinha dorsal, com software que vai beber informação a tudo e que coloca os sistemas a falar uns com os outros.
O papel do integrador
“Para o sucesso, que é pôr isto tudo a funcionar, é preciso ter uma empresa integradora, que é responsável por aquilo que o hotel vai ser”, explica João Carlos Gomes, para justificar a escolha da Schneider, “que garante uma rede estável e impenetrável, para além se ser uma referência no mercado mundial”.
Em causa está a integração de protocolos com várias empresas, desde as que fazem os cartões às empresas que têm de comunicar com o check-in virtual e com o sistema IPTV, Televisão Video on demand.
“Foram vários dias a trabalhar quase dia e noite para implementar esta solução inovadora com uma task force de cinco a seis pessoas, entre as quais técnicos da Schneider, até termos conseguido fazer o primeiro quarto 100% interativo”, explicou aquele responsável. Depois de ganha essa etapa, tratou-se apenas de replicar até estender a todo o hotel, adiantou.
Inaugurado em fevereiro de 2015 em modelo de soft open (os quartos foram disponibilizados gradualmente para testar o mercado e fazer os ajustamentos necessários), o Evolution representou um investimento da ordem dos 40 milhões de euros.
O modelo de gestão técnica centralizada também é um importante apoio para a eficiência energética. A posição dos blackouts dos quartos pode ser regulada remotamente, em função do clima, para permitir poupança de eletricidade.
O investimento parece estar a resultar, pois “durante o primeiro ano de exploração, a fatura energética ficou 35 mil euros abaixo do estimado”, segundo o diretor técnico daquela unidade hoteleira. A eficiência energética é uma componente forte da prestação da Schneider, cujo negócio-base reside precisamente na energia.
Redução de custos energéticos
“Relativamente a outras unidades do grupo Sana Hotels e, apesar da forte componente tecnológica do Evolution, o investimento não destoou significativamente da média.” Uma explicação pode estar no facto de a gestão de pessoal ser também ela diferente do habitual, com os funcionários a fazerem multi- task, ora podendo estar no bar ou no check-in. “Em regra, nas nossas unidades hoteleiras existe uma média de 1,4 funcionários por cada quarto ocupado, mas aqui esse racio é menor, graças à polivalência do pessoal.”
O pessoal, que se conta em torno dos 30 trabalhadores, corresponde também ao conceito de hotel interativo: apresenta um visual mais jovem e alternativo, adaptado à era digital, exibindo crachás chamativos com provocações dirigidas aos clientes de modo a incentivar a interação pessoal, como Follow me e talk to me.
Dentro do seu espírito assumidamente interativo, o hotel faz, de resto, questão de ser um espaço aberto à cidade, promovendo festas e happy hours animadas por DJ, “de modo a que tanto hóspedes como visitantes sintam o espaço com a maior familiaridade possível”, assumem os seus responsáveis.
O modelo de gestão técnica centralizada também é um importante apoio para a eficiência energética. A posição dos blackouts dos quartos pode ser regulada remotamente, em função do clima, para permitir poupança de eletricidade.
O investimento parece estar a resultar, pois, durante o primeiro ano de exploração, “a fatura energética ficou 35 mil euros abaixo do estimado”.
Aquela redução é considerada como muito significativa para um hotel daquela dimensão, sublinha João Carlos Gomes.
As soluções de tecnologia integrada permitem ainda a gestão à distância: “posso estar de férias no outro lado do mundo, receber uma indicação que é preciso ajustar a temperatura das águas e acionar tudo a partir do meu smartphone”, exemplifica aquele responsável.
Resumindo, “o Evolution Lisboa Hotel é perfeito para nerds”, diz João Carlos Gomes num registo de humor.

Carla Aguiar (texto)

Orlando Almeida (fotos)