Focus Group virou-se para o mundo e venceu Golias

Obras. Empresa que fornece serviços de engenharia e arquitetura ganhou o projeto do Complexo Olímpico no Rio de Janeiro. Depois de se voltar para fora no auge da crise, começa a regressar

Os cinco relógios pendurados na parede da sala de reuniões a assinalar diferentes fusos horários espelham a diversidade de mercados em que opera o Focus Group, que abarca países tão diferentes como Cabo Verde, Argélia, Qatar, Roménia, Brasil e São Tomé e Príncipe.
A empresa  que tem as duas principais áreas de negócio centradas na consultoria e projetos e na gestão e fiscalização de obras diferencia-se no mercado pela oferta de serviços integrados, partindo da engenharia e da arquitetura e derivando para serviços associados numa  lógica de chave na mão.
“O que nos distingue é fazermos uma oferta integrada de produto, abarcando todo o espectro de serviço desde a arquitetura à engenharia civil e segurança, passando pela eletricidade e comunicações”, explica o arquiteto e presidente da empresa, Nuno Malheiro.
“Porque trabalhar em mercados tão distintos exige parcerias de confiança que minimizem as surpresas desagradáveis”, o Focus Group tem privilegiado a parceria com a Schneider Electric para o desenvolvimento de algumas soluções na área da energia e da gestão técnica, refere aquele responsável. “Estando presente em mais de cem países e conhecendo as realidades de negócio locais, como por exemplo enquadramentos legais, podemos responder e antecipar problemas”, observou um responsável da Schneider Electric.  É uma aliança que remonta já ao período preparatório do evento desportivo Euro 2004, quando a empresa ganhou a gestão da obra do Estádio da Luz, na parte da engenharia, instalação elétrica, comunicações e segurança.
Foi um marco na atividade da empresa, que contou com a colaboração da Schneider Electric para assegurar a gestão técnica. “As soluções então criadas no Estádio da Luz foram suficientemente inovadoras a ponto de serem replicadas  noutros estádios por esse mundo fora”, adiantou um responsável da Schneider. Nesse período, as soluções concebidas para o estádio atraíram a atenção de russos, brasileiros, chineses  e alemães.
As credenciais conquistadas com aquele projeto funcionaram, de resto, a favor do Focus Group  para ganhar, em consórcio com uma empresa brasileira, o concurso para o projeto do Complexo Olímpico de Deodoro, no Rio de Janeiro. Antes disso tinham já ganho  também no Brasil o projeto do estádio de Fortaleza.
Em causa está o planeamento de um complexo destinado às competições mundiais em 11 modalidades desportivas, num investimento estimado em perto de 500 milhões de euros. O complexo está situado naquele que é considerado o maior campo militar da América Latina. “Ter ganho o concurso foi uma surpresa para nós, porque estávamos a concorrer com grandes multinacionais”, confessa Nuno Malheiro, que concorreu com um quadro de apenas 40 colaboradores.
Um dos grandes projetos em que a empresa está envolvida em Portugal, e que também beneficia da parceria com a Schneider Electric, é a gestão da obra do Terminal de Cruzeiros do Porto de Lisboa, uma obra orçada em cerca de 20 milhões de euros. Outra parceria aconteceu no Belipark Hotel, um business hotel em Argel com equipamentos e sistemas de distribuição e controlo de baixa  tensão da Schneider.
Resultando da fusão de três empresas, que ficou concluída em 2014, o Focus Group antecipou em boa hora a necessidade apostar na sua internacionalização.
“Até 2007-2008 tínhamos a quase totalidade da nossa atividade em Portugal, embora já tivéssemos iniciado a diversificação, mas a partir daí  a atividade caiu a pique cá e as encomendas de fora cresciam”, exemplifica o presidente da empresa. “ Chegámos a ter 80% da faturação fora, mas neste momento já estamos a equilibrar e o nosso mercado interno representa à volta de 40% das nossas vendas.”
Em causa está uma faturação que rondou os dois milhões de euros em 2013, os 3,8 milhões em 2014 e mais de dois milhões no ano passado.
A primeira fase da internacionalização assentou muito em Cabo Verde, onde a empresa fez, entre outros projetos, três mil fogos de habitação social. Neste momento tem em carteira a gestão de projeto e fiscalização de obra de um eco-resort na ilha do Príncipe, em São Tomé.

Carla Aguiar (Texto)

Gerardo Santos  (Fotos)